quinta-feira, 12 de junho de 2008

Desabafo.

Os jovens falam de revolução como se fosse um filme. Falam do movimento hippie e beat como se fosse algo distante. Praticar o amor livre, romper com o conservadorismo, abandonar o sonho americano, é tudo muito legal, mas só na teoria.

No fim das contas, todos queremos conforto. É fácil falar mal dos grandes utilitários e de calças que custam 600 reais. Difícil é encontrar pessoas que simplesmente recusem um golzinho básico, um celular que tire foto, um ipod e costurem suas próprias roupas (no máximo, que as comprem em brechós). É fácil falar mal dos Estados Unidos, da Coca-cola e do Mc'donalds. Difícil é recusá-los. É fácil falar mal da Globo, da Veja e do Estadão. Difícil é fugir do que eles fazem. É fácil pregar o amor livre e o fim dos preconceitos. Difícil é não ter ciúmes e não segurar a bolsa mais forte quando senta um negro pobre do seu lado no ônibus. É fácil se importar com o meio ambiente, abraçar árvore e dizer que ama a natureza. Difícil é deixar o carro na garagem, tomar banho com chuveiro desligado e dispensar aquele churrascão. É fácil defender o comunismo e a igualdade. Difícil é contribuir(financeiramente ou não) com uma Ong e ajudar um mendigo. É fácil falar mal da política, do Lula e do Brasil. Difícil é escolher um candidato e acompanhar suas ações.

É fácil falar de liberdade. Difícil é ser livre.

Pronto, falei. Agora falta terminar de fazer.

7 comentários:

Victor disse...

Muito muito bom!

É tudo que posso dizer...

*clap, clap, clap*

Alice disse...

idem.

vc tirou isso da minha cabeça ou foi só impressão?

caraca, ou.
falou o que muitos pensam.
e todos fazem.

(mas eu recuso uma coca-cola fáaacil ;)

Clara disse...

Minhas calças são todas folgadas porquem eram de quando eu estava na quarta série; meu celular custou exatamente 80 reais e não tira fotos; minha câmera deve ter uns sete anos; não como no Mc'donalds; não falo mal dos Estados Unidos como um todo, mas sim do seu governo; não me importo ao ver um negro pobre ao meu lado, já que na Bahia isso é muito comum; sou vegetariana, então não vou a churrascos; sou colaboradora mensal do Greenpeace, e sempre colaboro com a WSPA (proteção aos animais) e com a UNHCR (ajuda aos refugiados); nunca votei, mas tento acompanhar a política do meu país; e apesar de defender a análise socialista da sociedade, não falo de revolução porque não acredito nela -pelo menos, não mais hoje...

Isso me torna uma pessoa melhor?? Acho que não...

É fácil falar, mas tentar também não é difícil... O difícil mesmo é ser livre.

Fontes disse...

Lembrei de algumas pessoas que estariam isentas ao ler esse texto quando o escrevi.

Você era uma delas, Clara. ^^

Aline disse...

Eu concordo com tudo o que você disse. E eu falo isso sabendo que eu sou exatamente uma dessas hipócritas que você critica.
E eu falo isso não porque eu estou sendo uma "pessoa melhor" por reconhecer isso, mas porque é algo que me faz pensar e me atormenta todos os dias...

Clara disse...

não falei o que falei porque acho que sou isenta da hipocrisia. muito ao contrário.
a questão é que eu não concordo que é preciso fazer tudo que vc falou para ser um pessoa melhor ou mesmo livre. afinal,isso é muito subjetivo, pois depende da mente de cada um, e não de um padrão moral, ético, etc...
meu ponto é justamente esse, então; eu continuo me achando hipócrita ao tentar não ser, ao tentar colocar em prática algumas das coisas em que credito...
só que isso não adianta para nos tornar livres... nós todos temos nossos pré-conceitos e defeitos, assim como uma pessoa faz uma doação apenas para se sentir melhor.
:)

Renata disse...

não sei o que achei dese texto. Sabe, acho que no fim das contas, isso é relativo e você colocou o que você define prioridade no centro do texto.
O que você colocou como errado muita gente simplesmente acha certo colocar como uma alternativa de funcionamento.
Mas ah, no fim das contas, eu concordo com você, só não concordo com a superioridade de um pensamento a outro, concordo sim com a diferenciação.