sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nariz

Bochechas rosadas de menina são palco de lágrimas escorridas encharcadas de bossa nova
Testas se multiplicam de surpresa, de raiva, de pensamentos zap de milhão de poetas
Pelo queixo passeia a lesma cachaça recém fugida da garrafa, escapada do gole da careta
Ouvidos ouvem música
Olhos de ressaca
boca;

duro ser ponta de nariz.

abre-alas de um carnaval ridículo,
vadia inconveniente coragem
inútil coragem
da ponta do nariz;

do nariz, não é a ponta que respira, espirra, catarra,
não é lá que os pés dos óculos deitam
é mais pra cima
e a coceira vem sempre por dentro.

Inútil ponta de nariz,
passa vinte, trinta anos fechada
vitrine da loja-cara
brinquedo na caixa.
nada;

A ponta de nariz só tem sua hora e vez
depois de esgotada toda a diplomacia;
depois dos olhos deitarem no corpo dengoso proibido
da boca beber e dizer besteiras
depois das bochechas vermelhas traírem
a testa que tenta esconder pensamentos;
da língua arrumar uma baita confusão
vez do nariz.

vadia inconveniente coragem
inútil coragem
coragem;

Nessas coisas grandes e bobas de touros e homens
voa justo punho procurando alvo, pescando honra;
quem peita e aguenta, sem música ou poema
sujeito homem respirando sangue, coragem
ponta de nariz.

3 comentários:

Ana Paula Saltão disse...

Fenomenal.

Maria Joana disse...

Muito bom!

Felipe disse...

Feliz que voltaste depois de viajar