quarta-feira, 5 de maio de 2010

Procissão

Cerrem as portas,
apaguem as luzes,
façam silêncio!
A procissão caminha.

Observem por frestas
com medo e respeito (medo)
a caminhada dos mortos.
A procissão passa.

Com jovens e velhos
e mães e crianças,
fantasmas da carne.
A procissão passeia.

Negro cardume de olhos
negros, mantos negros
e corações cinzentos.
A procissão segue.

Sufocados pela culpa,
procurando estigmas,
seus punhos se erguem.
A procissão avança.

Por vielas e becos,
cruzam a passos mortos
os portões Dantescos.
A procissão marcha.

Esmolas à Caronte,
os demônios-homens
somem no horizonte.
A procissão foi-se.

Um comentário:

no mundo da lu(a) disse...

APLAUSOS !!!!!!!!!
Linda mesmo a poesia...
Forte, reflexiva . Pensei no teatro diário que representamos...
abço.