segunda-feira, 11 de maio de 2009

Aranha

Junto comigo
mora uma aranha
dentro do meu chapéu.

(chapéu de tweed comprado
na rua do seminário)

Sempre que posso,
pego esses mosquitinhos,
que de tão miúdos
quase não existem.

Sua pequenez me dá
o direito de matá-los.
(Assim age Deus com os homens)

São um banquete para minha amiga.

De vez em quando,
ela escorre uma teia até
o meu ouvido,
tomando cuidado para não se emaranhar
nos meus cabelos emaranhados.
(Meus cabelos morrem de ciúmes)

E no meu ouvido,
me conta histórias divertidas
e piadas aracnídeas
que não entendo.

E às vezes versos de oito patas
como esse daqui:

Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
por nós, quer-nos, oprime-nos.*